Afetos e pertencimento na aprendizagem de espanhol por mulheres idosas no âmbito de um programa de extensão
DOI:
https://doi.org/10.58313/masquedos.2025.v10.n14.446Palavras-chave:
Educação para idosos, Afetividade na aprendizagem, Aprendizagem de línguas, Extensão universitária, Subjetividades e envelhecimento, Gerontologia educacionalResumo
Este artigo apresenta uma análise crítica sobre o processo de ensino-aprendizagem de espanhol como língua adicional para mulheres idosas no contexto do programa UNAMI (Universidade Aberta da Melhor Idade), desenvolvido na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Brasil. A pesquisa, de enfoque qualitativo e orientação crítico-interpretativa, fundamenta-se na observação participante, em diários reflexivos da docente-pesquisadora e em registros reflexivos elaborados pela mesma. O referencial teórico articula contribuições da gerontologia educativa (Uniscovsky; Lopes; Silva; Beauvoir), dos estudos sobre afetividade e linguagem (Ahmed) e das abordagens decoloniais na extensão universitária (Freire; Walsh). A experiência de aprendizagem revela-se como um espaço de resistência aos processos de invisibilização social que comumente afetam as mulheres na velhice, possibilitando a ressignificação de trajetórias pessoais e a reconfiguração do sentido de pertencimento à universidade. Os resultados evidenciam que o aprendizado do espanhol ativa memórias afetivas, fortalece a autoestima e promove a criação de redes de apoio social entre as participantes. A língua estrangeira torna-se um detonador emocional e cognitivo, vinculado tanto ao desejo de conhecimento quanto à construção de novos projetos de vida. As estudantes narram experiências de superação de medos, reconstrução de vínculos sociais e ampliação de horizontes culturais, configurando a sala de aula como um espaço de afeto, agência e reconhecimento. O artigo também destaca o papel transformador da extensão universitária como prática de democratização do conhecimento e de ruptura com as hierarquias tradicionais do saber.
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